Tenho 39 anos. Não é uma idade que me assusta, mas é uma idade que muda algumas perguntas. Até pouco tempo atrás, eu pensava no que conseguia fazer agora. Hoje penso cada vez mais em como quero chegar aos próximos anos.
Como sempre por aqui: isto é reflexão pessoal, não orientação médica. Consultas e exames regulares com profissionais de saúde são o ponto de partida.
Uma das perguntas que motivam o Patoloko é como envelhecer mantendo saúde, curiosidade, ambição e disposição para fazer coisas difíceis. Não sei se tenho todas as respostas, mas sei o que quero proteger:
Com o tempo, parei de ver o treino como algo que serve só para a próxima prova. Ele virou também uma forma de cuidar do corpo para as próximas décadas. Isso muda algumas prioridades:
Nada disso é tão empolgante quanto um longão na serra. Mas é o que permite continuar fazendo longões por muitos anos.
Como envelhecer mantendo saúde, curiosidade, ambição e disposição para fazer coisas difíceis. Essa é uma pergunta que eu levo a sério.
Já passei pelo paraquedismo, pelo jiu-jitsu, pelo kart e hoje estou na ultramaratona. Olhando para trás, o que liga tudo isso é a curiosidade de experimentar. Não quero que a idade transforme essa curiosidade em cautela excessiva. Cuidado, sim. Medo de tentar, não.
Existe uma ideia de que depois de certa idade é hora de se acomodar. Não concordo. Ainda tenho metas profissionais, objetivos no esporte e coisas que quero construir. A diferença é que hoje eu tenho menos pressa e mais clareza sobre o que realmente importa. Ambição, para mim, deixou de ser correr atrás de tudo e passou a ser escolher bem o que perseguir.
Pensar no longo prazo mudou alguns detalhes na forma como eu treino. Não são mudanças radicais, mas fazem diferença quando olho para os próximos anos:
Existe uma linha fina entre cuidar da saúde e deixar de viver por medo de se machucar. Não quero atravessar essa linha. Ainda quero fazer provas difíceis, experimentar coisas novas e me colocar em situações desconfortáveis. A diferença é que hoje eu me preparo melhor para elas e respeito mais os sinais do corpo.
Acho que envelhecer bem tem muito a ver com isso: continuar fazendo coisas difíceis, mas com mais inteligência do que antes.
Nem toda saúde se mede em ritmo ou em distância. Sono, relações, saúde mental, tempo com a família e sensação de propósito também fazem parte da conta. Tem período em que eu treino muito bem e o resto da vida está desorganizado. Isso não é saúde completa. Tenho tentado olhar para o conjunto, e não só para os números do treino.
Se eu tivesse que resumir o que quero para os próximos anos, seria algo assim:
Não é uma lista ambiciosa no sentido de grandes conquistas. É ambiciosa no sentido de sustentar tudo isso ao mesmo tempo, por muito tempo. E essa, para mim, é uma das coisas mais difíceis que existem.
Tem um motivo a mais para pensar nisso: meu filho está olhando. Gosto da ideia de que ele cresça vendo alguém que continua curioso, que continua se desafiando e que cuida da própria saúde sem neurose. Falei sobre essa relação em Ser um pai presente sem apagar quem eu era antes.
Também gosto de pensar que envelhecer bem não é só uma questão individual. Ter saúde é o que me permite estar presente para a família, trabalhar com energia e continuar participando de projetos como o Além da Chegada. Cuidar do corpo, nesse sentido, é também cuidar de tudo aquilo que depende dele.
No fim, a pergunta que me guia é simples: que escolhas de hoje o meu eu de daqui a vinte anos vai agradecer? Nem sempre acerto a resposta, mas fazer a pergunta já ajuda a escolher melhor.
Não sei como vou estar daqui a dez anos. Mas quero chegar lá tendo feito escolhas que eu consiga defender. Para quem quer entender como encaixo o treino na rotina, o texto sobre treinar com pouco tempo é um bom próximo passo.
quem escreve
Pai, marido, trabalho com vendas e treino para ultramaratonas. Escrevo sobre disciplina enquanto ainda estou tentando. Ler o manifesto.
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