Quem trabalha com vendas conhece bem a sensação: o mês termina, o número fecha (ou não fecha) e, no dia seguinte, tudo recomeça do zero. Existe uma meta, existe uma pressão e existe uma carreira que eu ainda estou construindo.
Ao mesmo tempo, existe a ultramaratona. E os dois disputam as mesmas horas do dia.
Treinar depois do trabalho é uma armadilha para quem vive de meta. Sempre aparece uma reunião que atrasa, um cliente que precisa de retorno, um fim de mês que exige mais uma hora. O treino costuma ser a primeira coisa a ser cortada.
O começo do dia é diferente. Antes de a casa acordar e antes de o celular começar a tocar, o tempo é mais protegido. Não é o horário mais confortável, mas é o que menos depende dos outros.
Não vou fingir que acordar cedo para correr é sempre agradável. Mas percebo alguns efeitos que fazem diferença no trabalho:
Como trabalhar melhor sem permitir que o trabalho ocupe tudo. Essa é uma das perguntas que eu ainda estou tentando responder.
Tem mês em que a meta aperta e eu trabalho demais. Nesses períodos, o treino diminui, o sono piora e a paciência em casa também. Não vou fingir que tenho isso resolvido. O que tenho tentado é perceber esses períodos mais cedo e fazer ajustes antes que eles virem regra.
Algumas coisas que ajudam:
Quem trabalha com vendas sabe que os últimos dias do mês têm uma energia diferente. Tudo parece mais urgente. O telefone toca mais, as reuniões se acumulam, a cabeça fica no número o tempo inteiro. É justamente nessa semana que o treino corre mais risco.
O que eu tento fazer é planejar essa semana antes que ela chegue. Se eu já sei que os últimos dias do mês vão ser apertados, deixo o volume de treino menor nesse período e concentro os treinos mais importantes na semana anterior. Em vez de brigar com a agenda, uso o calendário a meu favor.
Com o tempo, comecei a perceber algumas semelhanças entre as duas coisas. Nas duas, o resultado final depende muito mais do que acontece nos dias comuns do que nos dias decisivos. Nas duas, existe uma parte grande do trabalho que ninguém vê. E nas duas, a cabeça é tão importante quanto o preparo técnico.
Tem dia em que o planejado não acontece: o treino da manhã não saiu, o trabalho atrasou, a família precisou de mim. Nesses dias, tento não transformar um imprevisto em efeito dominó. Um treino perdido não precisa virar uma semana perdida. Um dia ruim no trabalho não precisa contaminar a noite em casa. É uma habilidade que eu ainda estou desenvolvendo, mas que faz muita diferença quando dá certo.
Se você trabalha com metas e quer começar a treinar para provas longas, algumas coisas que eu gostaria de ter ouvido antes:
E converse com um profissional de educação física antes de montar o plano. Uma boa orientação poupa muitos meses de tentativa e erro, e protege de lesões que custariam ainda mais tempo.
Quero deixar uma coisa clara: eu gosto de trabalhar e tenho ambição profissional. Não acho que o objetivo seja trabalhar menos a qualquer custo. O objetivo é trabalhar bem sem deixar que o trabalho seja a única coisa que existe.
A meta do fim do mês e o treino do começo do dia não precisam ser inimigos. Mas, para conviverem, precisam de limites claros. E esses limites quem define sou eu, não a planilha nem o cliente.
Esse é um tema que vai aparecer bastante por aqui. Em Ambição profissional e paternidade dividindo a mesma agenda eu falo da outra metade dessa conta. E no texto sobre treinar com pouco tempo conto o que tem funcionado na parte da corrida.
quem escreve
Pai, marido, trabalho com vendas e treino para ultramaratonas. Escrevo sobre disciplina enquanto ainda estou tentando. Ler o manifesto.
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Com o tempo, disciplina deixou de ser fazer coisas difíceis só porque são difíceis. Hoje, para mim, é manter compromissos quando ninguém está vendo.

Trabalho, família e contas não somem na semana de treino. O que tem funcionado para quem precisa encaixar a ultramaratona numa agenda cheia.

Algumas provas passaram a ser também uma forma de arrecadar alimentos para famílias em situação de risco. Foi assim que nasceu o Além da…
