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Envelhecer com saúde, curiosidade e ambição

Perto dos quarenta, a pergunta muda: como quero chegar aos próximos anos? Saúde, curiosidade e vontade de continuar fazendo coisas difíceis.

Por Patoloko, em 19 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Homem de costas caminhando em crista de montanha ao nascer do sol

Tenho 39 anos. Não é uma idade que me assusta, mas é uma idade que muda algumas perguntas. Até pouco tempo atrás, eu pensava no que conseguia fazer agora. Hoje penso cada vez mais em como quero chegar aos próximos anos.

Como sempre por aqui: isto é reflexão pessoal, não orientação médica. Consultas e exames regulares com profissionais de saúde são o ponto de partida.

Três coisas que não quero perder

Uma das perguntas que motivam o Patoloko é como envelhecer mantendo saúde, curiosidade, ambição e disposição para fazer coisas difíceis. Não sei se tenho todas as respostas, mas sei o que quero proteger:

  • Saúde, para continuar fazendo o que gosto e estando presente para a família por muito tempo;
  • Curiosidade, para continuar aprendendo e testando coisas novas, em vez de só repetir o que já sei;
  • Ambição, no sentido de continuar querendo crescer, no trabalho, no esporte e como pessoa.

Saúde como investimento de longo prazo

Com o tempo, parei de ver o treino como algo que serve só para a próxima prova. Ele virou também uma forma de cuidar do corpo para as próximas décadas. Isso muda algumas prioridades:

  • recuperação passa a ser tão importante quanto volume;
  • força e mobilidade deixam de ser detalhe;
  • sono e alimentação entram na conta do treino;
  • exames e acompanhamento médico deixam de ser coisa que eu adio.

Nada disso é tão empolgante quanto um longão na serra. Mas é o que permite continuar fazendo longões por muitos anos.

Como envelhecer mantendo saúde, curiosidade, ambição e disposição para fazer coisas difíceis. Essa é uma pergunta que eu levo a sério.

Curiosidade não tem idade

Já passei pelo paraquedismo, pelo jiu-jitsu, pelo kart e hoje estou na ultramaratona. Olhando para trás, o que liga tudo isso é a curiosidade de experimentar. Não quero que a idade transforme essa curiosidade em cautela excessiva. Cuidado, sim. Medo de tentar, não.

Ambição sem pressa

Existe uma ideia de que depois de certa idade é hora de se acomodar. Não concordo. Ainda tenho metas profissionais, objetivos no esporte e coisas que quero construir. A diferença é que hoje eu tenho menos pressa e mais clareza sobre o que realmente importa. Ambição, para mim, deixou de ser correr atrás de tudo e passou a ser escolher bem o que perseguir.

O que eu tenho mudado na rotina de treino

Pensar no longo prazo mudou alguns detalhes na forma como eu treino. Não são mudanças radicais, mas fazem diferença quando olho para os próximos anos:

  • deixei de achar que descanso é perda de tempo;
  • passei a dar mais atenção a pequenos incômodos antes que virem lesão;
  • incluí fortalecimento de forma mais regular;
  • parei de me comparar com o que eu fazia anos atrás e passei a comparar com o que faz sentido agora.

Cuidado não é o mesmo que medo

Existe uma linha fina entre cuidar da saúde e deixar de viver por medo de se machucar. Não quero atravessar essa linha. Ainda quero fazer provas difíceis, experimentar coisas novas e me colocar em situações desconfortáveis. A diferença é que hoje eu me preparo melhor para elas e respeito mais os sinais do corpo.

Acho que envelhecer bem tem muito a ver com isso: continuar fazendo coisas difíceis, mas com mais inteligência do que antes.

A saúde que não aparece no relógio

Nem toda saúde se mede em ritmo ou em distância. Sono, relações, saúde mental, tempo com a família e sensação de propósito também fazem parte da conta. Tem período em que eu treino muito bem e o resto da vida está desorganizado. Isso não é saúde completa. Tenho tentado olhar para o conjunto, e não só para os números do treino.

Uma lista curta para os próximos anos

Se eu tivesse que resumir o que quero para os próximos anos, seria algo assim:

  • continuar fazendo provas difíceis, com mais inteligência e menos pressa;
  • manter exames e consultas em dia, sem esperar o problema aparecer;
  • continuar aprendendo coisas novas, dentro e fora do esporte;
  • crescer no trabalho sem que ele ocupe tudo;
  • estar presente para a família, com energia e disposição.

Não é uma lista ambiciosa no sentido de grandes conquistas. É ambiciosa no sentido de sustentar tudo isso ao mesmo tempo, por muito tempo. E essa, para mim, é uma das coisas mais difíceis que existem.

O exemplo em casa

Tem um motivo a mais para pensar nisso: meu filho está olhando. Gosto da ideia de que ele cresça vendo alguém que continua curioso, que continua se desafiando e que cuida da própria saúde sem neurose. Falei sobre essa relação em Ser um pai presente sem apagar quem eu era antes.

Também gosto de pensar que envelhecer bem não é só uma questão individual. Ter saúde é o que me permite estar presente para a família, trabalhar com energia e continuar participando de projetos como o Além da Chegada. Cuidar do corpo, nesse sentido, é também cuidar de tudo aquilo que depende dele.

No fim, a pergunta que me guia é simples: que escolhas de hoje o meu eu de daqui a vinte anos vai agradecer? Nem sempre acerto a resposta, mas fazer a pergunta já ajuda a escolher melhor.

Não sei como vou estar daqui a dez anos. Mas quero chegar lá tendo feito escolhas que eu consiga defender. Para quem quer entender como encaixo o treino na rotina, o texto sobre treinar com pouco tempo é um bom próximo passo.

quem escreve

Patoloko

Pai, marido, trabalho com vendas e treino para ultramaratonas. Escrevo sobre disciplina enquanto ainda estou tentando. Ler o manifesto.

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