Algumas provas passaram a ser também uma forma de arrecadar alimentos para famílias em situação de risco. Foi assim que nasceu o Além da Chegada.
Por Patoloko, em 19 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
Durante muito tempo, as provas foram só minhas. A preparação, a distância, o cansaço e a satisfação de terminar. Eu gostava, e ainda gosto, de tudo isso. Mas em algum momento comecei a enxergar outra possibilidade.
Com as ultramaratonas, algumas provas passaram a ser também uma forma de arrecadar alimentos para famílias em situação de risco. Isso mudou um pouco a minha relação com os desafios que escolho enfrentar.
O esforço continua sendo o mesmo. A distância não encurta porque existe uma campanha. Mas o sentido muda. Quando o cansaço bate lá pelo meio da prova, saber que aquilo está ajudando alguém muda a conversa que eu tenho comigo mesmo.
Continuo gostando da prova, da distância, da preparação e da dificuldade, mas gosto ainda mais quando aquilo que estou fazendo consegue produzir alguma coisa além da minha satisfação pessoal.
O nome vem de uma ideia que atravessa todo o Patoloko: não me interessa só a trajetória organizada depois da chegada, e sim o que acontece no caminho e depois dele. No caso das campanhas, a chegada da prova não é o fim. O que importa de verdade é o que acontece depois, quando os alimentos chegam a quem precisa.
Foi assim que esse lado do projeto ganhou nome: Patoloko, Além da Chegada.
As campanhas acontecem em torno de provas específicas, e os detalhes de cada uma (a prova, a meta e como ajudar) são divulgados quando ela é definida. Enquanto isso, existem algumas formas simples de fazer parte:
A página do Além da Chegada reúne tudo sobre o projeto e vai sendo atualizada a cada campanha.
Uma campanha não começa no dia da prova. Ela começa semanas antes, quando a prova é definida e a arrecadação é divulgada. Nesse período, o treino ganha uma camada extra de responsabilidade. Não é mais só sobre chegar bem para mim. Existe gente acompanhando, contribuindo e esperando que a campanha dê certo.
Isso tem um efeito curioso na disciplina. Nos dias em que eu não tenho vontade de treinar, lembrar que a prova está ligada a uma arrecadação ajuda a levantar da cama. O compromisso deixa de ser só comigo mesmo.
A escolha por alimentos tem uma razão simples: é uma necessidade básica, concreta e urgente para muitas famílias. Não exige explicação complicada. Um quilo de arroz ou de feijão chega na mesa de alguém. É uma forma direta de transformar o esforço da prova em algo que faz diferença no dia a dia de outras pessoas.
Ainda estou aprendendo a organizar melhor cada campanha. Cada prova ensina alguma coisa nova, e é justamente esse aprendizado que quero registrar aqui, sem esconder o que deu errado.
Se você chegou até aqui, talvez já esteja pensando em como participar. A forma mais simples é acompanhar o Instagram e ficar atento quando a próxima campanha for anunciada. Se você representa uma empresa, um grupo de corrida ou uma iniciativa que queira apoiar, fale comigo pela página de contato. E se não puder contribuir agora, compartilhar a campanha com duas ou três pessoas já ajuda a espalhar a ideia.
Cada campanha é pequena perto do tamanho do problema. Mas cada saco de arroz, cada pacote de feijão e cada lata que chega a uma família faz diferença concreta naquela casa, naquela semana. É por isso que vale a pena correr um pouco além da chegada.
Eu não virei outra pessoa por causa disso. Continuo competitivo, continuo gostando de desafios difíceis, continuo errando bastante. Mas passei a olhar para a minha própria disciplina de um jeito diferente. Treinar deixou de ser só um projeto pessoal e virou também uma forma de estar presente para quem nem conhece o meu nome.
E se você também corre, pedala, nada ou pratica qualquer esporte de resistência, fica a sugestão: talvez a sua próxima prova também possa servir para alguém. Não precisa começar grande. Uma meta pequena, divulgada para amigos e família, já pode encher algumas cestas. O esforço é o mesmo; o impacto muda bastante.
Se quiser trocar ideia sobre como organizar algo parecido, ou se quiser juntar forças numa próxima campanha, é só escrever. Tenho aprendido muito com cada tentativa, e acho que essa troca pode ajudar mais gente a correr além da chegada.
O Patoloko também nasce dessa mudança. E este é um dos assuntos que mais quero registrar aqui, com os acertos e os tropeços de cada campanha. Se quiser entender de onde veio essa vontade, o manifesto conta a história inteira.
quem escreve
Pai, marido, trabalho com vendas e treino para ultramaratonas. Escrevo sobre disciplina enquanto ainda estou tentando. Ler o manifesto.
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