Existe uma tendência de contar a história depois que dá certo. Prefiro escrever enquanto as coisas ainda estão acontecendo, com as dúvidas e os erros no meio.
Por Patoloko, em 19 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
Existe uma tendência natural de contar nossa história depois que alguma coisa dá certo. Quando fazemos isso, tudo parece mais organizado do que realmente foi. As decisões parecem conscientes, os erros parecem aprendizados planejados e os momentos de dúvida ocupam muito menos espaço do que ocuparam enquanto estavam acontecendo.
Eu prefiro fazer diferente.
Não tenho nada contra quem conta a própria trajetória depois de chegar. Existe muito a aprender com essas pessoas. Mas, como leitor, eu sentia falta de acompanhar alguém que ainda estivesse no meio do processo. Alguém que ainda precisasse bater meta no fim do mês, pagar as contas, pensar no futuro da família e encontrar algumas horas na semana para treinar.
A história contada depois tem um problema: ela esconde o que é mais útil para quem ainda está no meio. As dúvidas, as mudanças de ideia, as semanas em que nada funcionou.
Quero escrever enquanto as coisas ainda estão acontecendo. Isso significa que algumas opiniões podem mudar.
Escrever sobre os próprios erros não é confortável. Mas eu acredito que é mais útil. Quando alguém lê que eu também trabalho demais em alguns períodos, treino menos do que gostaria, gasto mais do que deveria ou não consigo dar atenção suficiente para tudo, talvez se sinta menos sozinho nas próprias falhas.
E existe um efeito colateral bom: escrever enquanto erro me obriga a olhar para os erros com mais atenção. É difícil ignorar uma coisa que você acabou de colocar por escrito.
Manter este site é, por si só, um exercício de disciplina. Não o de fazer uma coisa difícil uma vez, mas o de manter um compromisso ao longo do tempo, inclusive quando ninguém está lendo. Escrevi sobre essa forma de enxergar a disciplina em Disciplina não é fazer o difícil. É manter o combinado.
Para deixar claro o tipo de conteúdo que este site vai ter, vale listar os assuntos que mais vão aparecer. Todos eles fazem parte da minha rotina real, com os acertos e as falhas:
Quando a gente escreve, existe uma tentação de soar mais seguro do que realmente é. O texto fica mais bonito, as frases mais firmes, as conclusões mais claras. Mas isso é justamente o que eu não quero fazer aqui. Se eu não sei, vou dizer que não sei. Se estou testando, vou dizer que estou testando.
Isso não quer dizer que não vou ter opiniões. Vou, e algumas bem firmes. Mas vou tentar deixar claro quando uma opinião vem de experiência e quando vem de dúvida. E vou aceitar que algumas delas mudem com o tempo.
Talvez você esteja numa fase parecida com a minha: responsabilidades crescendo, tempo encolhendo e vontade de continuar melhorando em várias áreas ao mesmo tempo. Nesse caso, acompanhar alguém que também está tentando pode ser mais útil do que acompanhar alguém que já resolveu tudo. Não pela resposta pronta, mas pela companhia no processo.
Uma consequência de escrever enquanto as coisas acontecem é que alguns textos vão envelhecer. O que eu penso hoje sobre treino, dinheiro ou paternidade pode mudar daqui a um ano. Quando isso acontecer, não vou apagar o texto antigo como se ele nunca tivesse existido. Prefiro escrever de novo, explicando o que mudou e por quê.
Acho que isso também faz parte da disciplina: manter um registro honesto, mesmo quando ele mostra que eu estava errado. Afinal, a ideia do Patoloko nunca foi parecer certo. Foi acompanhar o processo enquanto ele acontece, com tudo que ele tem de confuso, de repetitivo e de bonito.
E se em algum momento você discordar de alguma coisa que eu escrever, melhor ainda. Uma conversa honesta entre pessoas que estão tentando costuma render mais do que um conselho pronto de quem já chegou.
Se você também está vivendo essa fase, provavelmente alguns desses assuntos vão fazer sentido. Não porque eu tenha descoberto como fazer, mas porque também estou tentando. O manifesto do Patoloko explica melhor essa escolha. E, se quiser comentar algum texto ou contar como é aí do seu lado, a página de contato está aberta.
quem escreve
Pai, marido, trabalho com vendas e treino para ultramaratonas. Escrevo sobre disciplina enquanto ainda estou tentando. Ler o manifesto.
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